Arte & Desenho

Como evitar que o desenho fique “chapado”

Artista desenhando um retrato realista de gato em grafite

Um desenho pode ter muitos detalhes, uma textura bem trabalhada e até mesmo bastante semelhança com a referência. E ainda assim parecer sem vida.

Quando isso acontece, costumamos dizer que o desenho ficou “chapado”.

Mas o que isso significa?

Em geral, significa que as formas não estão transmitindo profundidade e volume. As diferentes partes parecem estar no mesmo plano, como se a imagem não tivesse dimensão.

A boa notícia é que isso pode ser trabalhado.

Comece pelos valores, não pelos detalhes

Um dos erros mais comuns no desenho realista é começar pelos detalhes antes de construir os tons principais.

Olhos, pelos, rugas e pequenas texturas chamam a atenção e podem ser muito divertidos de desenhar. Mas, se os valores estiverem errados, todos esses detalhes terão pouco efeito sobre a sensação de volume.

Antes de pensar nos pequenos elementos, observe a imagem como um conjunto.

Onde estão as áreas mais claras?

Onde estão os tons médios?

E onde estão as partes mais escuras?

Essa relação entre os diferentes valores é uma das bases para criar profundidade.

Comparação entre desenho chapado e desenho com volume usando luz, sombra e diferentes tons

Crie contraste onde precisa de profundidade

O contraste ajuda a revelar as formas.

Uma área mais clara ao lado de uma área mais escura pode fazer uma superfície parecer curva. Uma sombra bem posicionada pode indicar que uma parte está mais afastada da luz.

Mas isso não significa que devemos deixar todo o desenho muito escuro.

O contraste precisa existir onde ele faz sentido.

Se tudo tem o mesmo nível de intensidade, o olhar perde referências para perceber o volume.

Nem toda sombra deve ter a mesma intensidade

As sombras não são todas iguais.

Algumas são profundas e marcadas. Outras são suaves e quase desaparecem gradualmente.

A intensidade de uma sombra depende da posição da luz, da forma da superfície e da maneira como a luz se espalha.

Por isso, ao observar uma referência, tente perceber não apenas onde existe sombra, mas também como essa sombra muda.

Uma transição suave pode ajudar a mostrar uma superfície arredondada.

Uma mudança mais brusca pode indicar uma alteração de plano ou uma área mais definida.

Use bordas duras e suaves

As bordas também ajudam a construir profundidade.

Uma borda muito definida chama mais atenção. Uma borda suave pode fazer uma transição parecer mais delicada ou afastada.

Se todas as bordas do desenho forem igualmente marcadas, o resultado pode perder profundidade e ficar excessivamente rígido.

Observe a referência e pergunte:

Onde a forma precisa ser definida?

Onde ela desaparece suavemente?

Onde a transição entre luz e sombra é gradual?

Essas pequenas diferenças fazem parte do que torna um desenho mais convincente.

Cuidado com o excesso de contorno

O contorno pode ser útil para compreender uma forma durante o processo de desenho.

Mas, na realidade, as pessoas e os objetos não possuem linhas pretas ao redor deles.

O que percebemos como limite é resultado da relação entre diferentes superfícies, valores, luz e sombra.

Quando o contorno fica muito escuro e uniforme, ele pode achatar a forma em vez de dar profundidade.

Em muitos casos, deixar que a luz e a sombra construam o limite da forma produz um resultado mais natural.

Os detalhes também precisam de profundidade

Mesmo depois que os valores principais estão definidos, os detalhes precisam respeitar a estrutura daquilo que está sendo desenhado.

Imagine o pelo de um animal.

Não basta desenhar muitos fios.

É preciso perceber a direção do pelo, as áreas em que ele recebe mais luz, as regiões em sombra e como sua textura acompanha o formato do corpo.

O detalhe funciona melhor quando está a serviço da forma.

Por isso, antes de acrescentar mais um fio, uma linha ou uma textura, vale perguntar:

Esse detalhe está ajudando a mostrar o volume?

Se a resposta for não, talvez ele nem precise estar ali.

Observe a referência antes de escurecer

Quando sentimos que o desenho está chapado, nossa primeira reação pode ser escurecer tudo.

Mas essa nem sempre é a solução.

Antes de acrescentar mais grafite, volte para a referência e observe novamente a imagem.

Observe novamente a direção da luz, as áreas de maior contraste e as transições entre os tons.

Às vezes, o problema não é a falta de preto.

É a ausência de uma relação correta entre claro, médio e escuro.

Um desenho com volume não precisa ser excessivamente escuro

Existe uma diferença entre contraste e excesso de contraste.

Um desenho pode ter profundidade usando uma grande variedade de tons, desde áreas muito claras até sombras mais intensas.

O objetivo não é fazer o desenho ficar o mais escuro possível.

É fazer cada tom ocupar o lugar certo.

Quando os valores estão bem relacionados, até uma sombra delicada pode contribuir para criar uma sensação de volume.

O volume nasce da relação entre os tons

Evitar que um desenho fique “chapado” não depende de uma única técnica.

É o resultado de várias escolhas trabalhando juntas.

A luz define.

A sombra revela.

O contraste aproxima e destaca.

As bordas ajudam a direcionar o olhar.

E os detalhes completam aquilo que já foi construído.

Por isso, quando um desenho parecer sem profundidade, talvez seja melhor parar por alguns minutos e observar novamente antes de acrescentar mais detalhes.

Às vezes, o que falta não é desenhar mais.

É observar melhor.

Porque o volume não nasce da quantidade de traços.

Nasce da relação entre eles.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *